Land of Illusion: o grande jogo do Master System que ficou na sombra de seu antecessor

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Com o sucesso do jogo Castle of Illusion, lançado para Mega Drive, Master System e Game Gear, nada mais natural do que fazer uma sequência, certo? Apesar de não ser uma continuação do jogo anterior, Land of Illusion é, sem dúvida, o “sucessor espiritual” de Castle of Illusion. Além de tudo o que Castle of Illusion já trazia de legal, este jogo foi ainda mais além, com várias inovações na jogabilidade e uma maior durabilidade.

Infelizmente, devido ao fato de que o Master System não vingou no Japão e nos Estados Unidos, o jogo foi lançado apenas na Europa em 1992, onde o Master System foi um grande sucesso. E em qual outro país o Master System também foi um sucesso? Sim, o Brasil! A TecToy, que não é boba nem nada, logo tratou de trazer o jogo pra cá. Em 1993, o jogo foi portado para o Game Gear, sendo que essa versão sim foi lançada em todos os territórios: tanto o europeu e brasileiro quanto japonês e americano.

Falando no Master System, você sabia que ele tem um jogo de cassino chamado Parlour Games que é bem bacana para a época? Se você gosta de jogos de cassino, não deixe de conferir mais detalhes sobre o assunto.

Em busca do cristal mágico

Uma noite, Mickey caiu no sono enquanto lia um livro de conto de fadas. Quando ele acordou, não estava mais em sua casa, mas em uma vila estranha e sombria. Mickey encontra Margarida, uma moradora da vila. Ela conta que o Cristal Mágico que protegia a todos na vila foi roubado por um fantasma. Sem o Cristal, a magia do bem presente no vale desapareceu. Em seu lugar, a magia do mal tomou conta e mudou tudo. Agora, ao invés de um lugar de felicidade, o vale está cheio de tristeza. Mickey pergunta sobre o fantasma e Margarida diz a ele que se trata de um fantasma mau que mora em um castelo nas nuvens e que a princesa que mora nas montanhas do norte poderia lhe dizer o melhor caminho para chegar lá. Mickey não pensa duas vezes e se põe a recuperar o Cristal Mágico.

Itens mágicos e lugares malucos

Mickey possui como principal ataque a conhecida “bundada” (herança de Castle of Illusion), que acontece ao apertar o botão 1 durante o pulo (botão 2). Caindo em cima dos inimigos dessa forma, Mickey pode derrotá-los. Também é possível pegar vários objetos como pedras, caixinhas e blocos e carregá-los para arremessá-los posteriormente nos inimigos. Dentro de algumas dessas caixinhas, encontramos moedas de ouro que dão mais pontos, além de fatias de bolo (que restauram uma estrelinha de energia) e de um bolo completo (que restaura duas estrelinhas). Durante o jogo, podemos achar outras dessas estrelas, que serão somadas e aumentam nossa energia total, que pode chegar a cinco estrelas. No entanto, existem 14 delas no jogo, uma escondida em cada fase. Algumas delas não podem ser pegas logo de início, pois exigem itens especiais que só são adquiridos posteriormente. Após ter cinco estrelas, cada estrela a mais que pegamos enche totalmente a energia e concede mais uma vida. Algumas delas estão extremamente bem escondidas. Além disso, se pegarmos todas as estrelas, ganhamos um grande bônus de pontos ao final do jogo!

O jogo também é bastante interessante por não ser totalmente linear. Com exceção de algumas poucas fases, podemos voltar para qualquer fase já jogada a qualquer momento. Em fases específicas, ganhamos alguns itens especiais que nos dão novas habilidades, como uma flauta mágica, uma poção de encolhimento, uma corda, sapatos mágicos e um feijão mágico. Com estes itens, podemos voltar em fases pelas quais já passamos para atingirmos passagens secretas, pegarmos estrelas de energia, entre outras coisas.

O jogo também tem uma duração maior do que a de seu antecessor, levando cerca de uma hora pra ser terminado, ou provavelmente mais pra quem joga pela primeira vez e não conhece os segredos do jogo.

Um mundo bastante colorido

Os gráficos são muito bons para os padrões do Master System, principalmente se você considerar que ele só é capaz de exibir até 32 cores diferentes na tela. O jogo é muito colorido e detalhado. Tudo é muito bonito e supera o Castle of Illusion, jogo que o antecedeu. A movimentação dos personagens é muito bonita: além dos muitos quadros de animação, se Mickey fica parado, ele começa a bater o pé (não de forma impaciente como o Sonic) e depois começa a olhar para o horizonte; se você anda ou fica parado sobre um plano inclinado, os pés do Mickey também se inclinam e tudo. É incrível o quanto prestaram atenção nesses detalhes. Se ele cair de bunda no chão, ele faz uma cara de “ai”; se está nadando, ele pode boiar na superfície da água; entre várias outras coisas. Além disso, nas ceninhas de diálogos com os outros personagens, eles mexem a boca ao falar, piscam, mexem os braços, entre outras coisas. O gráfico é muito bonito e detalhado para um sistema 8-bit.

Ouvindo os vários ambientes

O jogo também conta com uma boa trilha sonora. Infelizmente, algumas músicas se repetem em algumas fases, mas todas dão a ambientação certa. Acho que, no quesito música, o jogo também superou o antecessor. Quando o tempo da fase está inferior a 50 segundos para acabar, ela inclusive fica mais rápida, alertando o jogador de que ele deve ser mais rápido. Os compositores do jogo são T. Sawada, P. Chung e Ippo, sendo esta última também conhecida como Izuho Takeuchi, que foi a responsável pelas trilhas sonoras de jogos conhecidos, como Ys, Psychic World, Phantasy Star III e Phantasy Star IV.

Controlando Mickey

A jogabilidade certamente é um ponto forte do jogo. Como já foi dito aqui, Mickey pode executar ataques com o traseiro ou usando objetos. Os comandos respondem muito bem e é possível andar, nadar, subir cordas, escalar paredes, entre várias outras coisas, e nisso a jogabilidade cumpre o seu papel muito bem. O nível de detalhes é tão grande que se você usar o ataque da “bundada” em um plano íngreme, o Mickey até sai escorregando por ele! É certamente um dos pontos fortes do jogo.

Repetindo a jornada

Diferente de seu antecessor, Land of Illusion possui um replay razoável, pois nele é possível voltar em fases já concluídas e procurar pelas estrelas de energia escondidas que, além de aumentarem a energia ou dar uma vida extra, contribuem com um bônus de pontuação ao final do jogo. Achar todas elas não é moleza, pois algumas estão muito bem escondidas. Dificilmente a pessoa vai conseguir encontrar todas na primeira vez que joga. Descobrir a localização delas é algo bem interessante e contribui com a vontade de jogar novamente. Mas mesmo que isso nem existisse, o jogo por si só já é tão legal que você com certeza não vai querer terminá-lo apenas uma vez.

Curiosidades

No Japão, o jogo é conhecido como Mikki Mausu no Maho no Kurisutaru (O Cristal Mágico de Mickey Mouse) e só saiu por lá em sua versão para Game Gear, assim como nos Estados Unidos.

Diferentemente de Castle of Illusion, o jogo não foi desenvolvido pelo estúdio AM7 da SEGA, e sim pela Aspect, empresa responsável pelo desenvolvimento de outros clássicos dos 8-bits da SEGA, como Deep Duck Trouble – Estrelando Pato Donald, Sonic 2 e Sonic Chaos.

Considerações pessoais

Land of Illusion é, sem dúvida, um super jogo! Figurinha fácil entre os melhores jogos de sistemas 8-bits que eu poderia citar e provavelmente um clássico entre os fãs do Master System e do Game Gear. Jogabilidade maravilhosa, gráficos muito bonitos, ótimas músicas, boa variedade de fases, itens especiais e um bom desafio. O jogo, na minha opinião, supera seu antecessor, Castle of Illusion, que já era bom, em todos os aspectos. Se você nunca o jogou, experimente. Se você for fã de um bom jogo de plataforma ao clássico estilo 2D, provavelmente vai gostar. Volta e meia eu o jogo de novo. O jogo tem um bom nível de dificuldade e muitos segredos. É uma pena que ele acabou não ficando tão conhecido quanto seu antecessor.