Loot boxes: Bélgica e desenvolvedoras em luta acirrada

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Nos últimos dias, duas notícias revelaram uma nova forma como a indústria de videojogos está tentando reagir à polêmica das loot boxes. Depois de vários anúncios de retiradas desta funcionalidade, por ser demasiado semelhante a uma máquina caça-níquel (exigindo pagamentos por itens que não são vendidos, mas sim sorteados de acordo com uma “odd” definida pelo software), duas desenvolvedoras estão reagindo à deliberação de proibição que as autoridades da Bélgica anunciaram no último mês de abril.

Blizzard retira loot boxes, mas sob protesto; 2K tenta revidar

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A Blizzard, desenvolvedora de Overwatch e HeroesoftheStorm, anunciou que vai retirar as loot boxes destes jogos para o mercado belga, mas protestando que está contra a medida da Comissão de Gaming da Bélgica. A empresa declarou que a interpretação da lei é muito restritiva e que sua funcionalidade já havia sido alterada para estar de acordo com a legislação.

Já a 2K, desenvolvedora de NBA, declarou também que sua funcionalidade foi alterada para estar de acordo com a lei e pediu a seus usuários para contatarem o governo belga e mostrarem seu desagrado pelas introduções feitas sob ameaça de castigo penal.

Os episódios belgas se sucedem a muitos outros, acontecidos em vários países, desde inquéritos parlamentares nos Estados Unidos e na Austrália a investigações na França e na Alemanha. A Holanda, junto com a Bélgica, também declarou que as loot boxes estão demasiado próximo da definição de jogo de azar.

E no Brasil?

A questão das loot boxes no Brasil se tornou mais um sintoma da curiosa relação que nosso país tem com os jogos de azar. Oficialmente, o país é contra, mas na prática todo o mundo joga como quiser. Nesse caso em concreto, a contradição é total: o país proíbe que adultos joguem em cassinos e permite que adolescentes utilizem loot boxes.

A proibição dos jogos de azar coloca o Brasil em um lugar especial, uma vez que, na região das Américas e da Europa (o que pode se chamar como mundo ocidental), é um dos pouquíssimos países que proíbe a prática. Cassinos são proibidos e apostas esportivas também, ao ponto de os próprios apostadores que registrem apostas baseadas em território nacional possam ser contatados pelas autoridades.

Entretanto, todo o mundo pode jogar online, pois isso não é proibido. Os sites de apostas que se encontram no apostasbrazil.com.br estão baseados no exterior, e por isso o cidadão pode apostar neles sem problemas. O mesmo acontece com o acesso aos cassinos online, quando baseados no exterior.

Tem uma polêmica enorme por causa da liberação dos jogos de cassino, que vem sendo falada há vários anos. Setores importantes da política nacional são contra (mesmo se Bolsonaro e Crivella, aparentemente, não se opõem – eles que deveriam ser seus primeiros críticos.) Mas sobre as loot boxes, ninguém fala – apesar de isso ter sido tratada na mídia nacional, e não apenas na mais especializada.

Apetece falar como JordonSteele-John, senador australiano de 23 anos que vem promovendo um movimento de limitação às loot boxes em seu país. Ele defende que seus colegas do Senado “pararam no tempo do Pacman” e não estão atentos às consequências que isso pode trazer para a juventude atual.

E no Brasil, não será tempo de inverter prioridades?